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Quem é o Luke Sallaz?

Eu sou tímido e inseguro. Tentei ser legal e não consegui. Eu fiz pra saber como é porque cansei de aprender a viver em livros de auto-ajuda e negócios. Eu tenho tanto pra contar sobre o que eu vi e vivi. Até começar a me encher de mim e começar a negar meus "eus" ou egos, e comecei a ver minha vida de modo diferente, e cada dia é uma aventura.

Em certos momentos da vida a gente acaba acordando e vendo que o que a gente via e achava que estava entendendo, na verdade é outra coisa que você não estava sabendo, apenas mais um desdobramento de você. Assim surgiu Luke Sallaz, como uma reviravolta aos avessos, das entranhas podres da sociedade, um vômito que se achava bom. Mas era fácil ser bom na natureza, onde não tem quase ninguém pra te encher o saco. Isso quando eu larguei a sociedade e fui morar na vila Vereda em Goiás, a 30km de Alto Paraíso de Goiás no Esdado do Goiás.

Os detalhes que você quer ouvir talvez eu os tenha te mostrado e você não viu. Tenho muitas histórias, mas o mais importante é minha alma, e é com ela que estou escrevendo agora, quase que psicografando sentado na frente do computador que me acompanhou nessa viagem. Quebrou, eu mesmo concertei, e foi uma das razões de eu ter começado a escrever "Não confie nas máquinas". Um dia ele caiu junto com meu HD externo onde estavam todos os vídeos de diários que fiz lá na cabana, que infelizmente perdi. Pouca coisa sobrou, a não ser algumas fotos como essas:




Hoje eu vejo essas coisas, e me parece um sonho que tive e acordei numa realidade chata. E se fosse para dizer hoje algo para esse Luke Sallaz do passado, eu diria... "cuidado, nem tudo são só coisas boas, principalmente dentro de nós, ilumine suas sombras, olhe para elas, ame-as e se cure". É fácil falar agora que estou aqui aprendendo a lidar com o que antes não sabia nem que existia. Mas tudo tem seu tempo certo, e se fosse para aquele Luke dizer algo para este agora, ele diria: "Lembra do velho hippie Peter que dizia: Agradeço a tudo o que me trouxe este momento de paciência". Tudo acontece na hora certa e do jeito que tem que acontecer. Criamos nossa realidade, mas as vezes só olhamos para coisas ruins. Falar é fácil... mas tem coisas para nós que são difíceis.

O que mais gostei de quando caí na estrada, foi a liberdade de só ter o que você carrega, a leveza é indescritível.

Quando fui, foi para buscar algo a mais na vida além dos valores da sociedade e do marketing, que para mim não serviam mais. Eu queria viver uma vida real, algo que não fosse quem é melhor que quem... Eu tive uma briga feia com meu irmão Ednelson, foi o que me fez decidir, pois foi o soco na cara da sociedade me expulsando. Antes disso, eu já tinha largado trabalhos para viver meu sonho e não conseguia, e cada vez mais as pessoas que mais amo foram jogando em cima de mim suas paranoias e delírios a respeito de projeções baseadas em conceitos sociais. E para mim nada mais fazia sentido. Algo que me fez buscar este "algo além" foi minha separação da minha ex-esposa e ter ido buscar a vida espiritual tomando Ayoaska. Foi a melhor coisa na minha vida, e pude ver o quanto vivemos iludidos. Foi o começo do despertar.

Na estrada, antes da Vereda, eu fui para um retiro num acampamento alternativo em Terra Ronca, fiquei duas semanas e lá eu tive um intensivo de vida real, só banho de cachoeira, sem nenhum tipo de produto químico por duas semanas, rodeado de pessoas interessantes, legais, maravilhosas e bonitas. Voltando para casa, senti nojo de tomar banho no chuveiro passando veneno no meu corpo, e estava claro para mim que nada mais fazia sentido e a estrada era a única opção, afinal, eu tinha conhecido pessoas que conseguiram, e eu não poderia viver mais sem tentar também. Eu tinha 33 anos quando tudo isso aconteceu.

Então, eu voltei para a estrada e acabei ficando em um camping de favor na cidade de Alto Paraíso de Goiás, e um dia fui convidado a carpir um mato na terra da dona do camping na roça. Aceitei de bom coração e mãos lisas. Foi quando eu já estava começando a ficar preocupado em usar as bençãos que eu tinha para ser mais útil e sobreviver melhor. E comecei então a vibrar para o universo que eu queria ser professor. No fim da carpida, cansado e mãos em bolhas, acabei conhecendo a Fatinha, uma senhora de 60 anos que estava literalmente orando para aparecer um professor senão a escola iria fechar. E prontamente me pronunciei. E aí começou minha queimação de carma kkk.

Voltei porque já tinha me fortalecido, me encontrado por enquanto... e estava decidido a ser músico, na época era o que eu era. Além disso, meu pai tinha tido um enfarto no final de 2017, e o caminho me fez ficar perto dele até sua morte por câncer em fevereiro de 2020, pouco antes da crise do Corona Vírus. E desde quando voltei, foi muito difícil me adaptar de novo à sociedade. Meio que eu não queria, meio que a sociedade também não me aceitava.


Tive muitos desafios, e muitas bençãos na prova que foi aplicar o que eu tinha aprendido na estrada na vida de volta à Babilônia. Mas eu fui entendendo que estar na cidade me propiciou mais recursos para ser o artista que eu gostaria de ser e que ainda serei.

Na minha trajetória artística tive muitas influências de tudo o que era visceral, desde o sertanejo raíz até o rock do Nirvana, White Stripes e Legião Urbana e na pintura nunca tive referências diretas pois nunca estudei pintura e ainda estou aprendendo. Dentre as pessoas mais chegadas que me inspiram estão todas as pessoas que acreditam em mim e as que não acreditam também, pois estas me dão mais desafios para eu ser mais eu.

Minha meta de vida, é ser mais verdadeiro, mais honesto comigo mesmo, me conhecer melhor, coisas que para mim sempre foram um desafio. Eu sempre fui muito bravo, rancoroso, vingativo, arrogante e tudo isso me levou a ficar cada vez mais mal comigo mesmo e a vida me ensinou, hoje procuro ser mais sincero e buscando sempre novas experiências e aventuras. Gosto do que é novo e sei respeitar o que é velho. Eu mesmo fui velho antes de ser novo, em minha infância eu queria sair com a galera mais velha, bom, e agora... sei diferenciar algumas coisas que são realmente boas de joguinhos infantis.

Eu quero ser lembrado por aquilo que eu fiz, porém, eu sei que mesmo o melhor dos atos podem ser subvertidos em bocas malignas, então, estou aprendendo não ligar mais para o que os outros dizem sobre mim. É claro que evitar a fadiga é sempre bom, e prefiro evitar mentes doentes que subvertem a realidade, prefiro ficar na minha em algumas coisas. Assim, se não for pra ser lembrado também, tudo bem, a vida vai continuar a mesma, a terra vai continuar girando e as pessoas boas e ruins vão continuar existindo.

Tenho medo da falta de liberdade, das prisões sem grades, dos fascistas, dos preconceituosos, dos extremistas e dos obedientes. Procuro ter um pensamento anarquista sobre as coisas, acredito que dar poder a alguém é a origem do mal, já que o ser humano é o que é, com o poder fica pior, é claro que pensamos que se uma pessoa boa tivesse o poder tudo seria melhor, mas eu deixei de acreditar em papai noel quando descobri que ele era uma jogada de marketing da coca-cola kkkk.

Se eu pudesse voltar no tempo e fazer diferente alguma coisa, talvez deixaria de sofrer a toa, mas isso é complicado, já que o que aprendemos nos fez ser melhor, então eu não mudaria muita coisa não. Uma das grandes lições que ainda estou aprendendo é ser mais honesto comigo mesmo, não ser totalmente bom, pois a bondade pode esconder as sombras, e nas sombras estão as verdades que a gente não quer ver, mas que estão morrendo de saudade de nós e carentes de amor, só assim podemos ser íntegros, ser um com nós mesmo.

Para você que dedicou seu tempo a leitura deste fragmento de mim, no qual tento me mostrar, digo o que digo para mim todos os dias da minha vida quando acordo: boa sorte! Eu não sou referência de nada e nem pretendo ser, mas eu sou aquele que deixa tudo diferente quando vai embora. E sou grato por você estar aqui e existir ao meu lado, e se um dia quiser ir, que o caminho seja bom para você.

Fico muito grato por você estar aqui!

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